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ANO 01 / 2021

Curadoria: 
Stella Mendes e 
Laurindo Pontes

ARTISTAS

ANA FLÁVIA MENDONÇA
BADIDA CAMPOS
BERNA REALE
CHRISTINA MACHADO
IANAH MAIA
JULIANA NOTARI
LAURA MELO 
NATHÊ FERREIRA
NÁIADE LINS
PRISCILA LINS
REGINA SILVEIRA
ROBERTA GUIMARÃES
TEREZA COSTA RÊGO

"Qualquer amor, qualquer amor 
já é um pouquinho de saúde, 
um descanso na loucura"
(Maria Bethânia EM Guimarães Rosa¹)

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A Christal Galeria de Artes foi lançada semente em Agosto de 2017, a partir de uma visita de Christiana Asfora Cavalcanti à SP-Arte/Foto durante um encontro de família às terras paulistanas. 

De lá, o terreno dos sonhos foi preparando o habitar dos ânimos e o encontro dos desejos, até que em 2020, ano da fatídica experiência pandêmica causada pelo vírus SARS-CoV2, houve o encontro do local onde essa semente seria gerada.

O lugar escolhido foi um casarão de 1941, com 300mt² divididos entre espaços internos e as áreas externas, no Pina, em Recife, Pernambuco, bairro que já foi comparado ao Soho em Manhattan, na cidade de Nova York, nos EUA, por ter sido uma região onde muitos artistas possuíram seus ateliês.

Escolhido o sítio e definidas as reformas que seriam feitas para o casarão se tornar a galeria, passamos a investigar 
qual seria a primeira exposição que faria a apresentação do que pretendíamos com a construção deste espaço.

Movidas pelo dever latente em reformular os pilares estruturantes da atual sociedade brasileira, pronunciávamos e 
reivindicávamos a necessidade de voltarmos discussões para as bases dos princípios femininos no Universo das 
Artes, numa defesa à sensibilidade e à afetividade como direito à dignidade humana e como um dever fundamental a 
ser alcançado.

Tendo esse ponto como a partida, fomos intencionando reunir nomes de mulheres potentes cujos percursos, produções e narrativas pudessem se identificar a partir dos elos femininos de “capacidade de cuidado, de repouso, de conservação, de amor incondicional, de perceber o outro lado das coisas, de cultivar o espaço do mistério que desafia sempre a curiosidade e a vontade de conhecer ²”, estreitando e fortalecendo perspectivas comuns.

A missão foi difícil, em um meio com tantas nomenclaturas valiosas, mas após instigante e extensa pesquisa, chegamos a um recorte coerente junto de nossas intenções, com os 13 nomes que compuseram a mostra inaugural 
intitulada
Identidade Matriz.

Exploramos o tema pelo sentido lingüístico de Identidade entendida como a igualdade de um elemento em 
relação a ele próprio e
Matriz como o lugar onde alguma coisa se gera ou se cria.

Seguindo por essa concepção de focar na visibilidade da expressão feminina nas Artes Visuais, decidimos reunir artistas cujas obras dialogassem entre si por suas experiências de protagonistas em suas expressões e territórios do criar, trazendo para Recife nomes de artistas mulheres que representam no cenário regional e nacional, de Norte a Sul do Brasil.

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Assim, Identidade Matriz reúne obras de diversas linguagens, cujo enlace curatorial está marcado pela história, 
trajetória e pelo repertório das artistas selecionadas. Sentimos que, ao reunir expressões variadas (de artistas de origens e idades diferentes), apresentaríamos um conjunto que dialoga a partir da potência dos assuntos 
que desenvolvem e do percurso que representam.

Cabe ressaltar que nosso alcance em termos de pesquisa de campo era limitado em virtude do momento e do 
contexto, e que todo o processo de investigação teve que se consolidar pela internet e pelas redes sociais, o que nos 
obrigou a limitar as escolhas pela amplidão de possibilidades que um tema tão amplo contempla.

Atentas, porém, ao fato que deveríamos ter uma parceria local para esta primeira mostra, convidamos o marchand 
Laurindo Pontes para dividir a curadoria, estabelecendo diálogos e trocas preciosas que nos fizeram vislumbrar os 
primeiros nomes a integrarem a coletiva.

Impulsionados por valorizar quem fez as primeiras caminhadas no sentido de explorar atitudes contestadoras, iniciamos com a escolha de homenagear Tereza Costa Rêgo, que nos deixou em 2020, e cujo legado será sempre um ponto de bons começos.

Por ela, associamos o nome de Regina Silveira, mulher que há mais de 60 anos é incontestável na elaboração de uma arte conceitual, que dialoga com luz e sombra, projeções e distorções, numa dialética que nos traz para a plasticidade 
das Artes Visuais.

Dali, alcançamos uma forte materialidade com Christina Machado e suas intensas cerâmicas, objetos ancestrais na fixação do ser humano em perpetuar-se no tempo e no espaço. Do mesmo modo, Ana Flávia Mendonça projeta, em suas instalações com cerâmicas, essa materialidade térrea, envolvidas por temas subjetivos e simbólicos.

Com Juliana Notari, a escultura nos coloca entre a permanência da vida e o inevitável confronto com a morte, eterna 
dicotomia da condição humana. Este princípio também permeia as narrativas manuais de
Laura Melo, que tece 
mensagens profundas por suas linhas e seus traçados.

Na mesma regência que nos leva das linhas para formas e objetos, Náiade Lins integra o campo das artistas designers 
ao lado da pintora
Badida Campos. Elas completam a experiência do bidimensional para o tridimensional com 
elementos que vão das mais variadas superfícies e matérias, com temas sensíveis à condição da mulher na sociedade.

Em Berna Reale, estes temas tomam oposições que se fincam e aprofundam, estampando, nas fotografias, as performances que fazem de seu trabalho um ícone de contestação e resistência, substantivos femininos fundamentais dos tempos que vivemos.

À medida que fomos mergulhando nesses universos, captamos o quanto a integralidade feminina de fazer, pensar, 
agir e sentir com o próprio corpo decifra simbologias e signos que despertam o poder agregador e gerador em sua 
plenitude.

Esse poder alcança os limites do espiritual quando reverbera por meio das fotografias e vídeos de Roberta 
Guimarães
, sendo o fio que nos faz atravessar e perceber outros lados, outras possibilidades de ver e existir.

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Desembocamos, daí, nos tons de geotinta que Ianah Maia usa para professar suas experiências surreais e decoloniais, nos reconectando com a Mãe Terra e nos conduzindo para um diálogo germinador com Priscila Lins, que fixou, nas paredes da Christal Galeria, as asas que vão nos fazer semear liberdade em forma de arte e educação.

Desse religar com o amor incondicional pela natureza, nos deparamos com Nathê Ferreira e suas personalidades 
divinais, representando mulheres pretas e periféricas, que impõem, em olhares infinitos, uma vasta sabedoria, que quer nos obrigar a florescer esperança e amadurecer as diversidades pelas janelas da alma.

2021 marca a abertura de um novo ciclo para todas e todos nós, passada a experiência atemorizante que nos sondou, enquanto coletivo, com a pandemia iniciada no ano anterior.

O que desejamos com a exposição Identidade Matriz é que ela marque o início das atividades da Christal Galeria 
como espaço catalisador do enfrentamento e debate para construção de uma identidade humana original. Uma identidade que se faça pela valorização dos princípios femininos de cooperação, cuidado, resistência e coragem diante das adversidades.Como nos orienta Leonardo Boff:

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O movimento feminista colocou 
em xeque o projeto do 
patriarcado. Inaugurou relações 
mais simétricas e cooperativas. 
Tais avanços deixam entrever 
os albores de uma virada. 
Esboça-se um novo tipo de 
manifestação do feminino e do 
masculino em termos de 
parceria, colaboração e 
solidariedade nas quais homens

e mulheres se acolhem em suas 
diferenças no horizonte de uma 
profunda igualdade pessoal, de 
origem e de destino, de tarefa e 
de compromisso na construção 
de mais benevolência para com 
a vida e a Terra e de formas 
sociais mais participativas e 
solidárias.

 

Mas hoje vivemos uma situação 
singular. Como espécie, 
estamos num novo limiar. O 
aquecimento global, a exaustão 
dos bens naturais, a escassez 
de água potável e o estresse do 
sistema vida e do sistema Terra 
nos colocam esse dilema: ou 
nos parimos como outra 
espécie humana, com outra 
consciência e responsabilidade, 
ou iremos ao encontro da 
escuridão. O Brasil, dada a sua

situação ecogeográfica, deve 
assumir seu lugar na 
construção do novo equilíbrio 
da Terra ou corremos risco de 
um caminho sem retorno.

 

É neste momento que se exige 
como nunca antes na história a 
vivência dos valores do 
feminino, da anima: dar 
centralidade à vida, ao cuidado, 
à cooperação, à compaixão e 
aos valores humanos 
universais³.

 

É chegado o tempo de buscarmos matrizes que nos levem a novas dimensões de compreensão do viver, do ser, do ter e do estar. O caminho que estamos começando a trilhar é longo e queremos chegar até onde a Arte alcança, na confiança de que essa construção trará ao público experiências únicas que somente por intermédio da cultura podemos conhecer.

Stella Mendes  
Historiadora e gestora cultural

¹ Maria Bethânia | LIVE | 13.02.2021. Disponível em: <https://globoplay.globo.com/v/9267974>. Acesso em: 
14 de fev. 2021. 6:40:25

² Boff, Leonardo. A vivência dos valores do feminino na política atual. O Tempo, Contagem/ MG, 15 de outubro de 2021. Seção Opinião. Disponível em: <https://www.otempo.com.br/mobile/opiniao/leonardo-boff/a-vivencia-dos-valores-do-feminino-na-politica-atual-1.217791?amp>.  Acesso em: 05 de fevereiro de 2021

³ IDEM

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ANA
FLÁVIA
MENDONÇA

Sementes clandestinas, 2019
Instalação Cerâmica, 
terracota e terra

1mt² (conjunto) | 15x06x06cm (unid)

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BADIDA

CAMPOS

S/t, s/d
Oleo sobre eucatex
122x76cm

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BADIDA

CAMPOS

S/t, s/d
Oleo sobre madeira
105x74cm

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BADIDA

CAMPOS

s/t, 1975
Aquarela s/ papel
47x32cm

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BADIDA

CAMPOS

s/t, 1975
Aquarela s/ papel
47x32cm

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BADIDA

CAMPOS

s/t, 1975
Aquarela s/ papel
47x32cm

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BADIDA

CAMPOS

s/t, 1975
Aquarela s/ papel
47x32cm

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Cantando na 
chuva # 2 , 2014

Pigmento mineral 
sobre papel 
fotográfico 


Premium Luster 
ed 4/5 + 2 PA 
100x150cm

BERNA

REALE

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Berna Reale 02.jpg

BERNA

REALE

A sombra do sol 
# 2, 2012  

Pigmento mineral 
sobre papel 
fotográfico 

Premium Luster  
ed 4/5 + 2 PA
100x150cm

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BERNA

REALE

Todos olham para 
os gatos # 02, 2018  

Impressão em papel de 
algodão, metacrilato 

ed 2/5 + 2 PA
100x150cm  

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CHRISTINA

MACHADO

Eles cabem na minha mão, 2021
Instalação, cerâmica c/madeira 
(33 objetos)

68x1,43x 4cm (cjt)
15x13cm (cada)

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CHRISTINA

MACHADO

Minha menina diz não, 2021
Escultura, instalação 
porcelana, vidro

41x20cm Ø

Christina Machado 02.jpg
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CHRISTINA

MACHADO

Enquadrado 2021
Cartazes/papel, prego 
Ed.01/10 cada

40x29cm 33 (cada)
1,60x2,60cm (total)

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IANAH

MAIA

Além do Temporal, 
2019

Geotinta s/ porta 
de madeira
200x54cm

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LAURA

MELO

Deixa ela em paz, 2018
Croche

140x58cm

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NATHÊ

FERREIRA

Banho de sangue azul, 2021
Técnica mista (spray e acrílica 
sobre papel) 


40x30cm

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NATHÊ

FERREIRA

Nyame Biribi 
Wo Soro, 
2021
técnica Mista 
(spray e acrílica 
sobre tela)

100x70cm

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REGINA

SILVEIRA

Fotogravura
“Plugged 3”, 2011

ed 38/60


66,5x49cm

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REGINA

SILVEIRA

Fotogravura

“Plugged 2”, 2011

ed 48/60


66,5x49cm

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REGINA

SILVEIRA

Fotogravura

“Plugged 1”, 2011

ed 12/60


66,5x49cm

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ROBERTA GUIMARÃES

Árvore da Palavra, 2020
Painel em voil com 
impressão fotográfica


130x 200cm

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ROBERTA GUIMARÃES

Oxum 1, 2016
Fotografia impressa 
em papel  
Canson RAG 310gr
- aplicada no alumínio 

Ed1/20
100x67cm

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ROBERTA GUIMARÃES

Oxum 2, 2016
Fotografia impressa em papel  
Canson RAG 310gr- aplicada no 
alumínio 

Ed1/20
100x67cm

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TEREZA

COSTA

RÊGO

s/t, s/d
Gravuraed
56x70cm

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TEREZA

COSTA

RÊGO

s/t, s/d 
Acrílica sobre duratex
70x170cm

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TEREZA

COSTA

RÊGO

s/t, s/d 
Acrílica sobre madeira
85x220cm

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TEREZA

COSTA

RÊGO

Autorretrato, acrílica sobre 
papel, 1949
60x40cm

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TEREZA

COSTA

RÊGO

Autorretrato, acrílica sobre 
papel, 1949
60x40cm

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FICHA TÉCNICA

CHRISTAL GALERIA 
DAS ARTES

IDEALIZAÇÃO E DIREÇÃO
Christiana Asfora Cavalcanti

DIREÇÃO ARTÍSTICA
Stella Mendes

COORDENAÇÃO GERAL
Egeneson | Mago Ferreira

CHRISTAL CAFÉ
CHEF Maia Deva

RESPONSÁVEL
Maria Cecília Marinho

EXPOSIÇÃO IDENTIDADE 
MATRIZ

CURADORIA
Stella Mendes
Laurindo Pontes

CONCEPÇÃO
Christiana Asfora Cavalcanti
Stella Mendes

PRODUÇÃO EXECUTIVA
Egeneson | Mago Ferreira

DESIGN E COMUNICAÇÃO 
VISUAL
Leandro Nunes

MONTAGEM
GF Montagens

PROJETO DE ILUMINAÇÃO
Studio Lamp

TRILHA SONORA
Eduardo Valois

LOGÍSTICA E 
TRANSPORTE
Grupo Alke

SEGURO
Foco Art Seguros

REVISÃO  
Maria Cecília Mendes

ASSESSORIA DE 
IMPRENSA
Voz Comunicação

AGRADECIMENTOS 
ESPECIAIS
Luciana Brito 
Galeria Nara 
Roesler Galeria

Galeria Garrido

Família Costa Rêgo

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